Rota da Luz de Bike – Árvore da Vida, a profundidade de um cicloturismo

Rota da Luz de Bike – Árvore da Vida, a profundidade de um cicloturismo

Essa árvore é linda né? Mas, você acredita eu passei direto por ela?!

Nesse último feriado da padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Aparecida, e na canonização da Irmã Dulce, fizemos um cicloturismo pra Basílica Nacional pela Rota da Luz, que iniciou em Mogi das Cruzes. Foram 200km, 2 dias, 2800 metros de ascensão acumuladas, mais de 25 litros de líquidos ingeridos pelo grupo, 33° de sol ao longo das 14horas totais de pedal, almoço em estabelecimentos de apoio aos romeiros que por ali percorrem a pé e em romarias a cavalo.
Mesmo com carro de apoio, nada além de água, isotônicos, frutas e uma sentada rápida no ar condicionado foi necessário, pois não houve nenhum furo de pneu, ralada ou acidente. Graças da Deus.

Essa linda árvore morta, porém reflorescida pela própria natureza, estava por volta do km 140km, no segundo dia. Eu estava a alguns metros a frente do grupo, num trecho fluído, com excelente rolagem entre pequenas subidas e descidas, extremamente prazeroso pra um mountain biker, quando à avistei na minha direita. E como disse, passei batido.

 

Wagner logo após Estação Luiz Carlos, acompanhado pelo carro de apoio

No entanto fiquei incomodado. O dilema de um cicloturista/mountain biker estava naquele momento, naquela exato instante. Por um lado, poderia continuar no “flow” incrível do trecho com a velocidade crescente, cadência ideal, força no limiar da capacidade e sustentável, pista com tangencia ideal nas curvas permitindo alcançar mais velocidade com estabilidade, e do outro lado, uma árvore a priore cheia, viva, única no trecho, dando mais destaque.

E você, o que faria?! Qual dos prazeres simples da vida você optaria por viver?!

Momento de descanso, quanto os padrinhos do casamento da Igreja Santa Branca aguardavam no sol

Acredito que temos sempre opções na vida, o ponto é que hoje em dia, devido ao imediatismo sócio-digital, parece, mas só parece mesmo, que está cada vez mais difícil decidir. E vou colocar de uma forma pra você refletir.
Gosto da analogia entre dois caminhos numa bifurcação: direita e esquerda. Ambas levam você ao seu destino, sendo a opção da direita mais curta, com muitas subidas e descidas, de terra, com sombras em alguns trechos. Já a opção da esquerda é muito mais longa, bem longa, porém plana, de asfalto, no entanto com muito sol na cabeça ao longo de todo o percurso.
Não existe escolha certa ou errada, tudo depende do preparo, das condições, das companhias, dos recursos, da própria vida.

André, Scooby, após a subida na saída de Redenção da Serra

Eu escolhi voltar! Parei a bike, voltei uns metros até a árvore pra contemplar sua beleza, sua capacidade de se renovar mesmo diante das feridas, dos galhos e folhas perdidas, da doença que um dia lhe tirou o brilho e imponência ao analisar pelo tamanho de seu tronco e raízes ressecadas. Além disso, ali havia outra mensagem: o tempo. Quanto tempo após adoecida essa árvore levou pra florescer novamente? Certamente não foi da noite pra o dia, como somos socialmente induzidos, que esses novos galhos cresceram e que todas essas folhas brotaram. Foi necessário tempo, maturação, paciência, resiliência contra ventos, chuvas. Nada é de uma hora pra outra, na profissão, nos relacionamentos, na educação dos filhos, e é claro, nos resultados dos treinos. E normalmente, mesmo quando raramente é de uma hora pra outra, vai embora com a mesma velocidade que veio.

A dificuldade na escolha está na falha em não optar nem pela direita, nem pela esquerda. A opção ideal é a mais curta, de asfalto, com sombra, isto é, na opção que não existe. É necessário optar por uma direção (direita ou esquerda) e pagar o preço. O preço mais leve possível pro seu momento de vida.

O Murilo fez a escolha dele ao ir conosco com carro de apoio, estrutura e organização logística. Mesmo sem nunca ter pedalado mais de 80km de uma só vez, ele foi até Aparecida, tendo subidas, estradas de terra e sol, muito sol. Ele foi na fé mesmo, muito emocionante vê-lo chegar pedalando até a última subida.

Já o Wagner, foi super bem de Gravel, Diverge da Specialized, excelente escolha pra esse roteiro, completando seus primeiros 200km acumulados. A família dele, após esse feito de fé, até viu mais valor em seus investimentos em bicicleta 🤔.

Vavá e Wagner, na blogueiragem na estrada da represa

E tem mais! Depois houve mais trechos prazerosos de se pedalar, onde me fez pensar na essência da bike. Nas descobertas que o mountain bike nos proporciona, na sensação de liberdade, no prazer ao pedalar, ao encontrar os amigos, ao ir na cachoeira, no bate papo durante o pedal, no prazer ao sentar debaixo de uma bela árvore e desfrutar de sua sombra e abrigo refrescantes e deixar o lado competitivo para os momentos certos. Afinal somos profissionais-atletas neh?!

 

Espero te ver na nossa próxima cicloviagem!! E se quiser ser avisado das próximas cicloviagem, clique aqui, assim te informo com antecedência por whatsapp das nossas viagens de bike com apoio.

E já reserve dia 07/12 para o Teiú Race Day, uma confraternização com corrida de aventura para amigos e família.

Bons pedais!! Até breve.

Leandro Fredericci

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