Brasil Ride 2019 – Um estágio em sua vida

Brasil Ride 2019 – Um estágio em sua vida

O Brasil Ride 2019, mais do que um estágio na sua vida. Prova que parece fácil, mas não é!

Se você  preferir ouvir clique no “Play ” abaixo:

Esses são os slogans utilizados pelo Mário Roma, organizador do evento, e que reflete com veracidade o espírito da prova. O Brasil Ride 2019 é uma prova de corrida de Mountain Bike em estádios, dividida em duplas masculinas, mistas e femininas com 600km, 13.000 metros de ascensão acumulada (total de subidas) em 7 dias nas cidades de Arraial D’Ajuda e Guaratinga na Bahia, Brasil. A prova se encontra na 10ª edição, e ao meu ver muito bem organizada e preparada. São cerca de 600 atletas, + de 300 Staffs, barracas para todos os atletas e staffs, refeições (jantar e café da manhã), lava bike da Squirt ao final de cada etapa, suporte mecânico do Shimano, refeitório estilo buffet completo, 3 containers com banheiros e duchas individuais bem cuidados pela excelente equipe de limpeza e espaço exclusivo Specialized.

Trata-se de uma verdadeira batalha mental, física, técnica e de companheirismo. O nível dos atletas que participaram do Brasil Ride 2019 foi bem elevado, desses 500 “profissionais-atletas” como advogados, engenheiros, economistas, médicos e outros, que dividem seu tempo entre família, trabalho, lazer e treinos, posso dizer que a maioria se encontra realmente preparado tanto fisicamente, quanto aos equipamentos (bicicleta, roupas, acessórios, etc) e na sintonia com a dupla.

Há muito jogo estratégico ao longo da corrida, para poupar energia e se mantendo numa zona cardíaca baixa (predominância em Z2 / Z3 baixa), poupar o equipamento nas diversas situações a qual a bike e acessórios são expostos ao extremo (descidas, buracos, saltos, lama, poças, pedras) e ao estado emocional e físico do(a) companheiro(a). Não se trata de uma prova que você vai no limite cardíaco, mas no limite da sua força no pedal (Watts), da técnica na mountain bike e do conhecimento sobre o seu próprio corpo, que só vem com os treinos mesmo.

A organização do evento foi impecável, iniciou em Arraial D’Ajuda com um Prólogo de mais ou menos 20 km. No segundo dia, um duro pedal que nos levou a Guaratinga partindo de Arraial D’Ajuda num percurso de 135 km. Essa etapa, considero a mais duro, pois havia muitos atletas animados com início da prova, fora da intensidade ideal, forçando em muitas subidas, atacando bastante ao longo das distâncias elevadas e o sol acentuado que nesse dia foi de castigar. Ao chegar em Guaratinga deixamos as bicicletas no Wash Bike da Squirt  (lava bike) que após a lavagem são deixadas no BikePark (estacionamento exclusivo das mountain bikes com controle de acesso). E caso fosse necessário alguma manutenção da mountain bike, era só deixar a bike com os mecânicos do apoio da Shimano, até mesmo pra uma assistência minuciosa, como conserto de rachadura de quadro de carbono, como foi o caso de um dos nossos amigos. Em seguida, pegar as malas trazidas de Arraial D’Ajuda pela Unidas para deixa-las na barraca individual com colchão novo (no plástico) e, seguir pro merecido banho. As duchas são em boxe individual revestido e com piso frio, com água quente ou morna num grande containers com banheiros ao fundo e com uma equipe de limpeza sempre pronta pra deixar tudo limpo para o próximo atleta. Na sequência, volta para barraca pra deixar os pertences (recomendava-se cadeado, mas eu deixei tudo aberto todos os dias e não tive problemas) e segui para o jantar no refeitório gigante montado exclusivamente pra o evento com mesas e cadeira pra todos, super organizado, bonito, como se fosse um buffet de casamento ou formatura para atender todos os atletas sentados assistindo os vídeos e as fotos da etapa do próprio dia, além da premiação do vencedores da etapa e da prova. No buffet havia arroz , feijão, massas, batata, carne, saladas, água de coco, coca-cola e até sorvetinho.

O 3º dia foram 2 voltas de 37,5 km aos redores do acampamento de Guaratinga. O percurso variava bastante entre estradões de terra batida, áreas mais técnicas com pedras e obstáculos naturais e alguns “single tracks”(caminho que só percorre um mountain biker por vez). Essa etapa era considerada relativamente mais simples pela organização, mas que tinha o horário de corte apertado (5horas), comparado ao tempo dos primeiros colocados (3horas).

Os horários de corte foi algo que me deixou um pouco impressionado. Eles não eram tão fáceis, como mencionei acima. Havia uma necessidade de se manter numa velocidade média acima de 13 km/h para ficar a cima do corte, caso contrário corria-se o risco de entrar no ônibus vassoura (ônibus de embarque obrigatoriamente ao(s) atleta(s) baixo do ritmo levados até a chegada).

Inicio da 7 voltas

A 4ª etapa, considerada “Rainha” com 104km, 2500m de ascensão acumulada, teve muitos “single tracks”, “downhills”, estradões e as conhecidas e temidas subida da Batalha e o desafio “Zera o Pico” da Red Bull na subida das 7 voltas, que realmente é puxada e técnica. Eu pedalei só até o primeiro fiscal do desafio e já foi poupando as pernas e empurrando mesmo. Meu parceiro Wesley Sorridente, aceitou o desafio e zero o pico. Bruuuuto!! Fui com o cara certo!

A 5ª etapa era a volta de Guaratinga à Arraial D’Ajuda com 141 km e mais ou menos 2100m de subidas acumulados mesmo voltando para o litoral. Foi uma etapa com bastante desafio até o km 50 em relação as subidas, depois muitas trilhas divertidíssimas e fluidas no Parque Nacional Pau Brasil onde o caminho se tornava relativamente plana, porém desafiador para a visão devida a chuva e as muitas poças d’água ao longo do trecho. Nesse dia, o Perrella, nos fez um baita apoio e nos proporcionou muito vácuo, elevando o ritmo do Team Oakley. Teve um trecho longo de reta que tive que jogar a toalha, e pedir pra eles (Perrella e Wesley) diminuírem um pouco o ritmo, pois estava difícil ficar de roda (ficar atrás do(s) parceiro(s) aproveitando o vácuo). Foi bacana ver, o meninos quebravam vários pelotões (grupo de ciclistas que rodam juntos se ajudando e poupando).

A 6ª Etapa foi um cross-country ou conhecido como XCO, de 4 voltas com cerca de 8 km. Era necessário fazer no mínimo uma volta e até 4 voltas, caso você fosse capaz de terminar a 3ª volta abaixo de 1 hora 24min, tempo esse do campeã da etapa, Henrique Avancini, o que não foi o meu caso, que fiz 1 hora e 40 minutos fazendo apenas 3 voltas. Meu parceiro, Bruuuuto, semi-galático, conseguiu abrir a 4ª volta fecha em 1h e 45min as 4 voltas. Foi uma etapa curta, porém bem intensa.

E por falar em intensidade, todo mundo dizia que a 7º e última etapa, em Arraial D’Ajuda, seria um festival, tranquila, apenas pra encerramento, sendo divertida pois havia 50% do percurso em “single tracks” com certa dificuldade para ultrapassagens e 50% em estradão. Lógico que não foi nada tranquilo, os primeiros 15km foi uma pancadaria, fui atacado, ataquei, liderei pelotão, fiquei pra trás em outros e conseguimos ligeiro destaque nos singles e obstáculos “naturais” do Parque Nacional Pau Brasil, fechando os 47km em 2 horas e 20 minutos. Não fomos uns dos melhores, mas pra mim, mesmo estando bem no final da prova, a intensidade foi bem alta com a média de velocidade de 20km.

Ficou muito claro que o Brasil Ride 2019 foi uma prova que reuniu atletas e amadores de alto nível do Brasil. Conhece pessoas de Goiânia, Brasilia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e todos estavam muito bem preparados para a prova, tanto fisicamente, quanto aos equipamentos. Pra essa prova e com esse nível de participantes acredito realmente que uma mountain bike leve, com componentes bons, confiáveis e em perfeito estado de conservação traz um diferencial para poupar energia ao longo dos dias. Mesmo sendo forte e capaz de carregar uma bicicleta de alumínio, full suspension, de 14kg (sem acessórios) foi relativamente mais pesado, pois esse peso é somado aos itens e acessórios necessários pra prova como mochila de hidratação, kit primeiros socorros (básico), câmera reserva, ferramenta, links de corrente e alguns alimentos.

Abro um parênteses aqui. É possível contar apenas com a hidratação da prova, levar o mínimo de peso possível, nem usar mochila, deixar o kit de primeiros socorros de lado para reduzir o peso, carregar apenas gel pra se alimentar, no entanto é necessário ver seu objetivo com a prova: Chegar na frente?! Terminar? Passar dos cortes?! Pois se trata daquela escolha básica da vida profissional, financeira e afetiva: mais segurança, menos risco com emoções controladas ou menos segurança, mais riscos e emoções a flor da pele. E acredito fielmente que nenhuma delas esteja certa ou errada, apenas proporcional ao momento de vida de cada pessoa ou dupla nesse caso.

A sintonia com seu companheiro de equipe também é algo essencial. É difícil encontrar uma pessoas com o mesmo nível de condicionamento físico, técnico e suporte mental a dor e desconforto. No meu caso, meu parceiro era mais forte do que eu, logo eu sobrava muitas vezes nas subidas, mas procurava compensar um pouco nas descidas começando a subir primeiro. Nas retas por ser mais forte, muitas vezes ele estava à frente fazendo o corte do vento e eu na roda aproveitando o vácuo. E sem discussão quanto a isso, zero estresse, pois muitas vezes fechávamos o “gap” (diferente) entre nós o pelotão da frente para ele descansar também, mesmo sendo puxado pra mim, eu tinha consciência que precisava que ir além pra ele “descansar” também. Nesses pelotões até havia um código de ética para todos pouparem energia, e isso sem dúvidas ajudou a completar as etapas num tempo bacana e se preservar para os dias seguintes.

A intensidade é muito alta, apesar da necessidade de se manter uma frequência cardíaca mais baixa, a potência (Watts, energia aplicada nos pedais) que se aplica ao longo da prova e cada etapa é alto, inclusive na parte da subidas, portanto é necessário que a potência aplicada nas perna esteja mais adequada e otimizada para este tipo de prova, prolongada em horas, com etapas de 4 horas até 8 horas dependendo do dia.

A alimentação é outro item a ser bem pensado. Tem que ser algo fluido e de prática manuseio sobre a mountain bike, pois parar para comer numa prova dessa é muito luxo. Eu costumo levar alimentos mais simples e leves como amendoim, fini, até mesmo alimentos mais sólidos como bisnaguinha com nutella ou pasta de amendoim, mas pela intensidade não foi possível usar esses alimentos de forma pratica. Mudei a estratégia e fui para os suplementos, com gel, maltodextrina e repositor de eletrolíticos (como Gatorade, PowerAde) da linha Full Gas. Há um ganho de tempo e principalmente de segurança ao manusear rapidamente o alimento, que é essencial para continuidade com qualidade no ritmo da prova. E é claro, comia tudo que era possível nos postos de apoio. Havia em alguns postos com uma torta de frango que era uma delicia. Essa estratégia apesar de arriscada por ser aplicada ali na prova, e não testada antes, funcionou muito bem, e facilitou também um pouquinho a logística de carregar menos peso, pois nas primeiras etapas usei a mochila Thule Vital 6 com peso extra de alimentos que sobravam após as etapas. Desnecessário! Alias, o sistema de retorno de mangueira ReTrakt  da mochila Thule que dispensa o uso das mãos (tem um imã) foi demais pra não ficar batendo nas descidas.

As roupas adequadas e confortáveis também são outro diferencial. Tivemos o apoio da Oakley Brasil. E o Team Oakley veio pra aproximar a atletas amadores que tem um alto nível de performance, mas também tem em um vida fora do esporte, que combina muito com a pegada da marca. Eles nos proporcionaram as vestimentas da La Maglia que usei todos os dias e foi excelente, já faço uso pela qualidade, nos uniformes dos alunos da Teiú Aventura, e além disso usamos o novo capacete Trail DRT5 que também foi algo bem confortável com sistema mips e com um sistema onde o soar não escorre pelos olhos e os óculos com as lentes Prizm e com o sistema que ajuda muito na questão da visibilidade e evita embaçar durante a respiração nas mudanças de temperatura e forte expiração. Nos momentos de chuva, areia das rodas da frente, os óculos e tratamento de limpeza fazem uma excelente diferença pra segurança e visibilidade no pedal.

As sapatilhas são outro item que considero acertado pra essa prova. Levei duas, ambas da Shimano que comprei na Sport Star Bikes, a MT301 que usei nos dias mais “curtos” e a CT71 que é mais velha e extremamente confortável. Recomendo sapatilhas muito confortáveis, principalmente nas etapas mais longas. Certamente você irá carregar um pouquinho de peso, mas irá com uma sapatilha confortável, principalmente ao longo dos dias onde o pé fica um pouco mais inchado, devido ao estresse crônico e acumulado e onde tem que dar aquelas empurradas fora da mountain bike com na subida das 7 voltas ou até mesmo na “Batalha”.

Como já comentei a mountain bike, se não for nova, precisa estar em perfeito estado. Fiz uma revisão incrível e detalhada com o Claudio (mostro do ciclismo) no Centro Técnico da Sport Star Bikes, sendo que já estava com a relação, cubo traseiro,  freios e pneus praticamente novos à algumas semanas da prova. Não tivemos nenhum problema grave ao longo da prova, nem um pneu furado, apenas no 5º dia surgiu uma pequena rachadura na roldana do câmbio que eventualmente travava a corrente entre a roldana e o câmbio, mas troquei no último dia. Alguns itens extras como gancheira, roldanas, talvez até um câmbio inteiro, corrente e pneus recomendo que seja levado em caso de emergência, apesar desses itens estarem disponíveis lá na Shimano pra você comprar ou até mesmo emprestar e retornar ao no final da prova. Pra etapa só levava a gancheira, camera, CO2, bomba e ferramenta multi-uso Specialized.

A mountain bike já recomendei que seja leve, confiável, com excelente relação de marchas (1×12 ou 2×11), minha recomendação extra além da qualidade da bike, se trata da configuração dela.

Possivelmente você tem um bikefiting da sua bike e seu bikefitter fez uma configuração onde você mais utilizar a bike, em trilhas, estradões ou em XCO’s. O cenário do Brasil Ride é especial e exigi uma configuração especial, deixando uma configuração mais confortável e segura, talvez até perdendo um pouco da performance, com a mesa mais elevada, mais curta (dependendo da sua bike), o canote meio ou um centímetro mais baixa, ganhando conforto, segurança e preservação da sua musculatura de membros superiores, trapézio e ao redor do pescoço e direcionando seu foco na intensidade e no percurso.

Bom, pra mim foi uma imersão no MTB. Irei levar o conhecimento adquirido nessa prova para meus alunos nos treinos, nas planilhas personalizadas, nas clinicas de MTB e nos Training Camps da Teiú Aventura. Fique de olho em nosso calendário pra pedalar conosco e bons pedais.

Espero ter motivado e animado você para o Brasil Ride 2020. Bora?!

Ahh…me dê uma mãozinha, compartilhe com seus amigos do pedal…

E já reserve dia 07/12 para o Teiú Race Day, uma confraternização com corrida de aventura para amigos e família.

 

Abraço,

 

 

Apoio:

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *